Cidade Perdida Angkor
Reportagem de Clarence W. Hall
Sobre as ruínas mais grandiosas do mundo paira ainda este mistério impressionante: o que aconteceu ali?
Reportagem publicada em 1966
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Sobre as ruínas mais grandiosas do mundo paira ainda este mistério impressionante: o que aconteceu ali?
Numa tarde de janeiro de 1861, um naturalista francês chamado Henri Mouhot suava para abrir caminho através da selva quase impenetrável do Camboja, quando de repente entrou numa clareira e ficou imobilizado. Diante de seus olhos assombrados, avultavam os contornos de uma imensa estrutura de pedra. Seus longos parapeitos acinzentados pareciam estender-se até o infinito, sob altas abóbadas erguiam-se magníficos terraços e galerias, e cinco torres em forma de flor de lótus apontavam para o céu. Iluminada pelo sol poente, toda a massa cinzenta se incendiava de um vermelho chamejante.
Esquecido de sua busca de insetos raros, Mouhot aprofundou suas explorações durante dias, não só no grande templo - que chamou “um rival do de Salomão" - mas também em dezenas de outras construções que encontrou meio submersas na selva. Emocionado, registrou sua convicção de que ali estavam “talvez os monumentos mais grandiosos, mais importantes e artisticamente mais perfeitos que o passado nos legou”.
A impressão de Mouhot não era muito exagerada. Ele tinha esbarrado nas enormes ruínas de Angkor, lendária capital do Império Khmer. Esse império estendera-se em outros tempos do sul do
Mar da China ao Golfo de Sião - abrangendo todo o atual Camboja, parte da Tailândia, o Laos, o Vietname - e compreendendo a civilização mais brilhante que já floresceu no Sudoeste da Ásia.Os Khmer: surgiram subitamente das brumas, foram a maravilha e o flagelo do Oriente durante 600 anos, e depois desapareceram, abrupta e misteriosamente, em 1432, deixando poucos, vestígios do brilho e opulência de seu império, salvo os 200 ou 200 e tantos imponentes monumentos da região de Angkor. Mas êsses testamentos de pedra são de tal magnitude e esplendor que amesquinham as tão proclamadas maravilhas do Egito, da Grécia e de Roma.
Em 1907 o Governo francês iniciou a longa empreitada de libertar a cidade perdida das garras da selva. Hoje Angkor está "sendo ressuscitada pela mais fantástica iniciativa de restauração arqueológica que já se tentou no mundo, sob a direção de Bernard Groslier, da École Française d'Extrême Orient.
Groslier foi o primeiro a observar, há uns 15 anos, que libertar os imensos templos da selva acarretaria um novo problema: os monumentos, privados da proteção da vegetação que os sustentava havia séculos, estavam sendo corroídos pelo calor excessivo e pelas torrentes'de chuvas tropicais. Pior que tudo, o frágil arenito das construções começava a desintegrar-se sob o ataque de um bacilo trazido pela água. A única maneira de salva-los era desmonta-los pedra por pedra e reergue-los sobre alicerces de Concreto reforçado, cercados de canos de escoamento. As partes dos templos expostas a misteriosa “doença da pedra” poderiam ser então tratadas contra novos danos pela aplicação de antibióticos.
Groslier convenceu os governos da França e do Camboja a lhe concederem um” crédito anual
de 5 000 000 N.F . Instalou um laboratório de pesquisas, arranjou guindastes e imensos bulldozers, idealizou tipos especiais de pontes móveis e outros instrumentos, recrutou 1000 especialistas e trabalhadores. A tarefa de salvar Angkor levará muitos anos, mas está bem encaminhada.
Um exemplo das realizações de Groslier até agora é a reconstituição de um antigo caminho elevado, com 110 metros de comprimento, guarnecido por uma fileira de 54 estátuas de cada lado, muitas das quais haviam caído num fôsso. Estão também em andamento obras num dos maiores templos de Angkor, o belo Baphoum, de cinco andares. E deverão começar brevemente na galeria de 730 metros do templo mais famoso, o Angkor Vat, cujos baixos-relevos são uma das maravilhas do mundo.
Guiando-se pelos baixos-relevos e as inscrições dos Khmers, bem como por antigas notícias escritas por visitantes chineses, os estudiosos forneceram pelo menos respostas parciais ao enigma .da
civilização, perdida. Os Khmers instalaram sua capital em volta de Angkor em princípios do século IX, e começaram sua rápida ascensão ao poder e à glória. Mercadores chineses iam e vinham, assim como mercadores aventureiros da Índia. Os Khmers assimilaram o que puderam do hinduísmo e do budismo e criaram uma cultura própria. Seu império, chamado Kambuja - Camboja -, durou até o século XV, quando se eclipsou abrupta e misteriosamente.
Mas, no seu tempo, os reis de Khmer foram gente notável. Para construírem e manterem sua capital tão opulenta como Babilônia, faziam periõdicamente guerras-e traziam como presa nações inteiras acorrentadas para usá-las na extração da pedra usada nas suas construções. No vale do grande Rio Mekong rasgaram selvas para, plantar intermináveis arrozais e construíram uma rede de estradas pavimentadas. Dominaram a ciência da Engenharia Hidráulica e criaram um sistema de abastecimento de água ainda mais incrível do que os seus templos. Represando e canalizando as baixadas alagadiças que se estendem em todas as direções a partir do Tonle Sap, um lago natural, cobriram a região de um emaranhado de reservatórios e canais, alguns dêles com 65 quilômetros de comprimento, proporcionando irrigação permanente aos seus campos, além de estradasv cintilantes que se perdiam no horizonte.
Para abaterem os seus' inimigos e, ampliarem o seu império, os reis de Khmer treinaram 200 000 elefantes como montarias de combate, criaram máquinas para lançar setas, mantiveram esquadras de canoas a prova de setas, comandaram imensos exércitos. Quando iam para a guerra, diz uma inscrição, “a poeira levantada pelos seus exércitos realmente escondia o Sol”.
Apesar do sorvedouro de muitas guerras, os Khmer: criaram uma sociedade extremamente luxuosa. Só os escravos passavam mal. Eram muitos e baratos. Chou TaKuan, um visitante chinês, relatou que “só os pobres não têm criado algum”. Fascinado por' “arroz fácil de ganhar, mulheres fáceis de encontrar, casas fáceis de administrar, comércio fácil de gerir”, Chou ficou 11 meses para gozar dessa vida de fartura. Talvez essa facilidade de Vida fosse a ruína dos Khmers, conde nando-os à conquista" por povos novos e vigorosos. Em 1431, os siameses, antigos vassalos dos Khmers, invadiram Angkor, pilhando a capital. Embora os Khmer; se unissem para expulsar os siameses, um ano depois - de repente, inexplicavelmente os Khmer: desapareceram da grande cidade e nunca mais voltaram.
O que teria na verdade acontecido?
Algumas autoridades acreditam que o povo, cansado de guerras, convenceu-se de que Angkor, tão próxima do território dos tumultuosos siameses, era indefensável. Outros afirmam que um flagelo ou peste devastadora - talvez malária ou a “Peste Negra” asiática - os exterminou. Outros ainda sUstentam que foi uma revolta de escravos, que se insurgiram para assassinar os seus senhores, pilhar'as riquezas de Angkor, e depois partiram para sempre do cenário odiado de sua servidão. Que cada um escolha sua própria versão. A verdadeira talvez nunca venha a ser conhecida.
Reportagem publicada em 1966
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O Livro Proibido do Sexo II é voltado para mulheres que desejam se tornar maliciosas na cama. São 7 capítulos, em 85 páginas onde o autor ajuda a leitora a se tornar avançada na arte do sexo, da sedução e do domínio sobre o homem.
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